5 bandas de Atmospheric Black Metal

O black metal é sempre lembrado como o primo feio e rebelde dos outros gêneros, sempre fechado, conservador, preocupando-se apenas em fazer um som cru e mal produzido e cultuar Satanás. O estilo sofre escracho dentro do próprio metal por wimps e não é levado a sério pela grande massa. No entanto, quem conhece e se aprofunda no gênero sabe que o black metal é feito para pessoas que tem mente feia pode ser um dos estilos mais abertos, belos e espirituais do metal.

Você diria “não” para esses homens?

Dentre os subgêneros do black metal, um dos mais interessantes é o atmospheric black metal, o vulgo Metal Florestinha, que como o próprio nome diz, consiste na incorporação de um som atmosférico unido à agressividade e velocidade do metal. Com frequente uso de sintetizadores, instrumentos de música clássica, orquestras, pianos, melodias etéreas, cantos líricos unidos à camadas de guitarra distorcida, com vários riffs e melodias repetitivas e guturais do black metal, o estilo cria músicas e momentos depressivos e angustiantes e, ao mesmo tempo, serenos e belos. As músicas falam sobre os mais variados temas como natureza, folclore, mitologia, paganismo, filosofia, morte, depressão e até mesmo sobre o vazio da existência.

ESSE VÍDEO É A VERDADEIRA ESSÊNCIA DO BLACK METAL. Ok, desculpe, vamos falar sério agora.

No SBG, bandas como Agalloch, Alcest, Burzum, Drudkh, Ulver, Coldworld, Lantlôs, sempre tiveram espaço pra caramba. Agora, aproveitamos para listar outras cinco ótimas bandas para quem quer ir mais além nesse estilo.

Eldamar

O que talvez mais surpreenda em Eldamar é o fato de que é um projeto do norueguês Mathias Hemmingby, que na época do primeiro lançamento tinha apenas 19 anos.

O projeto contém apenas um álbum de estúdio, “The Force of the Anciente Land”, lançado em fevereiro de 2016.

A sonoridade é típica das bandas do estilo. Black metal atmosférico e ambiente temas como paganismo, influência de autores como J.R.R. Tolkien e músicas com títulos como Spirit of the North, Winter Night e Travel in Woods.

O som, no entanto, impressiona e agrada quem é fã do estilo por ser bem coeso, bem executado e contando com uma ótima produção. A adição de coros femininos e sintetizadores/teclados dão um tom mais melancólico ao clima, fazendo-o o ouvinte se sentir perdido em uma floresta inóspita e gelada.

A primeira faixa, Spirit of the North, é um épico de 14 minutos que conta com todos esses elementos. Riffs arrastados e com boas variações, guturais ríspidos e cantos líricos e, principalmente, a atmosfera que a música transmite – é como se você estivesse se teleportando de uma vida corrida e infeliz à um lugar frio e vazio, porém capaz de acalmar a sua alma. Outros destaques ficam para Winter Night e The Border of Eldamar, com belos contrastes entre a guitarra e sintetizador. Travel In Woods é um instrumental feito basicamente no teclado, quebrando um pouco o clima do BM.

Por ter um álbum tão sólido e também por ser tão jovem, apostamos que Mathias ainda tem muita lenha pra queimar dentro do estilo, seja pelo Eldamar, seja por outros projetos.

 

Ellende

Ellende é mais um projeto solo, dessa vez do austríaco Lukas Gosch. O grupo possui músicos convidados apenas para shows e afins.

Além dos guturais, do peso e da velocidade, a banda se destaca por passagens acústicas e com grande destaque no baixo. O instrumento é muito bem marcado durante todas as musicas, seguindo a melodia de forma sensacional. O primeiro álbum, “Ellende” (2013), já começa com um violão acústico, seguido de bateria, o violino e o baixo, criando uma ótima atmosfera, que depois explode em um riff e um gutural. Berge, a musica seguinte, tem uma atmosfera pesada e sufocante, também com um violão acústico e o baixo marcando a música.

O segundo álbum, “Todbringer” (2016), consegue ser ainda melhor. Ballade auf den Tod é a síntese perfeita de como uma música de black metal atmosférico deve ser. Com ótimas melodias e uma passagem acústica, Am Ende stirbst Du allein é outro ponto alto. Versprochen… é pura calmaria, parecendo como a canção que tocaria após um período de trevas e sofrimento se acabar e iniciar uma era de paz de espírito. Por coincidência, tal faixa vem depois de Scherben, uma das mais caóticas do álbum. A banda, infelizmente, não está no Spotify, mas segue abaixo um link do álbum “Todbringer” no Youtube.

 

Panopticon

A mais exótica por aqui. Vinda de Kentucky, interiorzão dos EUA, é mais um projeto solo, esse de A. Lunn. A mistura de black metal com bluegrass, dois estilos tão diferentes, é algo sensacional (poderíamos dizer que foi inventado o blackgrass?).

O álbum “Kentucky” (2012) inicia com Bernheim Forest in Spring um solo de banjo (!!??), seguido por uma gaita e mais instrumentos de corda, remetendo à própria música caipira americana. Um black metal caótico surge logo depois: guitarra distorcida, bateria-metralhadora e o gutural acompanham a gaita em Bodies Under the Falls. A faixa também possui um solo de banjo.

Come All Ye Coal Miners quebra o clima do BM, com um vocal limpo caipira. O andamento com um violino é muito interessante, abrindo depois espaço para Black Soot and Red Blood, um black metal com andamento bastante arrastado.

O álbum também trata de trabalhadores da região de Kentucky, principalmente da indústria carvoeira. Importante salientar que Lunn doou parte dos lucros do álbum para uma instituição de caridade que combate a destruição do meio ambiente no local. Tá vendo? Black metal também é caridade e lutar contra o capitalismo, não apenas queimar igrejas.

“Roads to North” (2014) e “Autumn Eternal” (2015) também são excelentes álbuns. Este último até apareceu no top 10 de melhores álbuns de 2015.

 

Alrakis

Alkaris é o projeto do alemão A1V. A temática atmosférica da banda é tratar sobre o espaço, estrelas, etc. A banda faz uma espécie de “black metal espacial”.

O único álbum é “Alpha Eri”, lançado em 2011. A banda possui um lançamento não oficial em 2010, chamado “Omega Cen” (que inclusive está no Spotify) composto por oito faixas, supostamente roubadas e vazadas – muitas delas também aparecem em “Alpha Eri”.

O som é bastante atmosférico, e remete à sonoridades mais espaciais e transcendentais. Gas Und Staub Zwischen Den Sternen lembra bandas de space-rock devido ao uso de sintetizadores. Os sons e barulhos esquisitos casam muito bem com a guitarra distorcida e com os guturais. A bateria também chama atenção por manter um ritmo lento, dando a aclimatização do vazio e da solidão do espaço ao mesmo tempo em que a guitarra distorcida, os sintetizadores e o gutural lembram de como o esse vazio é sufocante e solitário. Abaixo segue a banda no Spotify e um link do Youtube para o álbum oficial “Alpha Eri”, que não se encontra no aplicativo.

 

Myrkur

Myrkur é um projeto de black metal cujo artista chegou a receber críticas e ameaças de morte nas redes sociais. Seu crime? Ser uma mulher que não segue o padrão de músicos de BM ou de vocalistas erotizadas e super sexualizadas de corpet. Amalie Brunn é uma cantora de musica pop dinamarquesa que decidiu se aventurar pelo mundo do Black Metal atmosférico apadrinhada por ninguém Kristoffer Rygg, do Ulver, um dos nomes mais importantes do estilo. Pois é: infelizmente o mundo do metal ainda é bastante sexista e alguns metalheads tem a sua frágil masculinidade abalada ao ver uma mulher como Amalie compor e tocar black metal.

Deixando de lado as polêmicas, e falando do som, a cantora lançou até então apenas o álbum “M”, em 2015. O disco é bastante versátil, passando por vários estilos, desde a sonoridade atmosférica, com uma camada distorcida de guitarra, lembrando bastante o trabalho do Ulver, até músicas com riffs que lembram canções do Venom.

Amalie, além de ser responsável pelas letras e composições, ainda canta com um vocal lírico bastante suave, e algumas vezes berrado. A cantora prepara ainda um novo lançamento ainda para esse ano. O Blog já falou sobre esse projeto, tanto nos melhores lançamentos de 2015, quanto neste post.

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Estudante de Direito da Universidade Estadual de Ponta Grossa/PR. Apaixonado por metal alternativo, Cerveja, games pós-apocalípticos e pelo Furacão da baixada. Tende a se corromper do metal quando escuta 80's Synthpop e Lana del Rey.