Lançamentos de 2017

2017 está sendo um ano bom para o metal e o Scream Blog Gore está atento aos vários lançamentos. Segue aí uma breve análise de três discos que já têm grandes chances de figurar entre os melhores do ano.

Obituary – Obituary

Obituary é uma das bandas mais influentes do death metal, considerada uma das pioneiras do gênero. Com um carreira que dura 28 anos e nove álbuns de estúdio, incluindo o clássico “Cause of Death” (1990), a banda lançou em março o seu mais novo álbum de estúdio, o homônimo “Obituary”.

Mesmo com tanto tempo de carreira e a idade chegando, o grupo mantém a mesma sonoridade e a boa forma de 20 anos atrás. Trevor Peres (Guitarra rítmica) continua com a agressividade de sempre, desfilando riffs brutais, enquanto Kenny Andrews (guitarra solo) faz ótimos solos. A cozinha de Terry Butler (baixo) e Donald Tardy (bateria) auxiliam no peso, no groove e na porradaria. John Tardy mantém um vocal poderoso, berrando letras perturbadoras (e até meio imbecis).

O álbum começa muito bem com Brave, faixa rápida e grooveada que demonstra que a melhor forma de ouvir esse álbum é reunindo outros amigos headbangers para tomar umas beras, discutir a revolução comunista banguear e moshar. Sentence Day mantém a sonoridade, com mais velocidade, e até um certo quê de metal moderno. Andrews ganha bastante destaque nas faixas, com solos mais melódicos e modernos. A banda aposta no peso em A Lesson in Violence, Betrayed e Turned to Stone; e na velocidade em End it Now. Kneel Before Me e Straight to Hell possuem riffs que remetem bastante ao death metal old school. Ten Thousand Ways to Die é uma das melhores do disco e até ganhou clipe.

Sem tentar inovar muito, buscando se adequar ao metal moderno enquanto mantém um som cru e pesado, Obituary acerta em um álbum simples e direto. Pode não causar mais o mesmo impacto que seus primeiros lançamentos, mas agrada a qualquer fã de um bom death metal old school.

Destaques: Brave, Straight to Hell e Ten Thousand Ways to Die

Nota: 9/10

 

Mastodon – Emperor of Sand

Analisar Mastodon é complicado, principalmente para um grande fã. O grupo entra facilmente em qualquer top 5 de melhores e mais influentes bandas do século XXI, tendo lançado duas obras primas, “Leviathan” (2004) e “Crack the Skye” (2009), e outros álbuns sempre acima da média. Isso tudo torna a expectativa pelo álbum muito alta.

É evidente que após a “proguezada” apresentada em “Crack The Skye”, o grupo tem feito um som cada vez mais acessível, sem o peso e sujeira dos discos anteriores. Apesar de manter uma ótima qualidade musical, alguns fãs sentiam falta de músicas como Blood and Thunder, Motherpuncher The Wolf is Loose.

Em “Emperor of Sand”(2017), o grupo conseguiu surpreender. A banda voltou a fazer um álbum conceitual, desta vez sobre a história de um peregrino do deserto que é sentenciado a morte. Há muita carga emocional nas letras, principalmente devido a alguns traumas pessoais que os músicos passaram com familiares e amigos diagnosticados com câncer, tema já exposto em algumas entrevistas pelo grupo.

O som do disco é bem puxado para o stoner metal, em alguns momentos parecendo uma banda Queens of the Stone Age-wannabe. No entanto, são os lampejos mais progressivos que tornam o lançamento especial e evitam que ele passe batido. Diversas faixas parecem ter saído de uma mistura entre “Blood Mountain” (2006) e “The Hunter” (2011). Vale destacar também a qualidade dos quatro membros como cantores.

O disco abre com Sultan’s Curse, música que se assemelha bastante aos sons antigos da banda, com um tom mais sludge. O andamento da musica e os arranjos deixam claro que a música tem o selo Mastodon de qualidade. Show Yourself, com menos peso e um refrãozinho grudento, soa mais comercial e ganhou até um vídeo clipe (que é muito bom, diga-se de passagem).

Precious Stone e Roots Remains mantém a receita de um riff pesado seguido por um refrão mais pegajoso. Steambreather é uma das melhores do álbum, e talvez uma das melhores do ano, com andamento arrastado e também flertando com o Mastodon mais antigo.

Até aí, o lançamento tem alguns bons momentos, mas só.  Porém, depois dessa faixa, o nível do álbum sobe de forma absurda: World to the Wise tem um som mais rápido e pesado. Ancient Kingdom e Clandestiny mantém a mesma pegada. Andromeda é uma ótima surpresa, remetendo à sonoridade pesada, porém progressiva que a banda costumava fazer. Jaguar God fecha o álbum com uma introdução acústica e bastante feeling.

Sempre buscando inovar e mantendo a já conhecida qualidade, o Mastodon aposta bastante em uma espécie de prog-stoner que não é tão marcante quanto nos lançamentos anteriores, mas é suficiente para que o disco figure entre os melhores do ano até aqui.

Destaques: Streambreather, Andromeda, Sultan’s Curse e World of Wise

Nota: 9/10

 

Fen – Winter

A banda britânica Fen é um dos principais expoentes do post/atmospheric black metal, lançando grandes álbuns como “The Malediction Fields” (2009) e “Epoch” (2011), que exploram temas como solidão, tristeza e a relação humana com a natureza.

“Winter” (2017) é o quinto álbum de estúdio da banda, lançado em março desse ano. Nele, os músicos unem tudo o que a banda faz de melhor: faixas longas (a maioria tem mais de 10 minutos), sonoridade black metal com bastante atmosfera, guitarras acústicas e passagens mais progressivas que alternam entre gutural e vocal limpo. As partes mais complexas são sempre lindas e o black metal é muito bem executado. O grupo faz muito bem a alternância entre um estilo e outro.

As músicas seguem sempre um mesmo conceito: um começo calmo, algumas vezes acústico, acompanhados de guitarras leves até explodir em riffs de black metal.  Apesar de ser uma fórmula repetitiva, o grupo a executa como ninguém.

I (Pathway) começa com um dedilhado na guitarra, acompanhado da bateria e de um vocal limpo que abre espaço para o raw black metal no decorrer da música. Destaco ainda a faixa III (Fear) onde o baixo ganha bastante destaque, IV (Interment), cuja intro é um dos sons mais bonitos que a banda já fez e II (Penance) que chegou a ganhar um vídeo clipe um tanto trash que mostra várias filmagens da banda, ao vivo e em estúdio, e paisagens do inverno europeu.

Manter-se no seu velho som foi uma das melhores sacadas da banda. Sem reinventar a roda, o Fen lança um dos seus melhores discos e também o melhor álbum de metal de 2017 até aqui.

Destaques: I (Pathway), II (Penance) e IV (Interment).

Nota: 10/10

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Estudante de Direito da Universidade Estadual de Ponta Grossa/PR. Apaixonado por metal alternativo, Cerveja, games pós-apocalípticos e pelo Furacão da baixada. Tende a se corromper do metal quando escuta 80's Synthpop e Lana del Rey.

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