Sepultura – Machine Messiah

O ano de 2017 começou com o lançamento de “Machine Messiah”, 14º álbum do Sepultura, e o 8º desde a saída de Max Cavalera. O disco aborda uma temática interessante e bem explorada pelo grupo: o processo de mecanização e robotização da humanidade, que é cada vez mais dependente da tecnologia. Nesse contexto, os homens concentram suas esperanças numa espécie de cyber-messias.

É evidente que a banda busca inovar, e para isso aposta no uso de sons orquestrados e influências de metal moderno. Exemplos disso são a introdução lenta e progressiva logo da primeira faixa, Machine Messiah. Entre músicas mais experimentais, é possível citar Sworn Oath, com uma sonoridade sombria, Cyber God, que fecha álbum, e o instrumental Iceberg Dances, que traz até passagens de música nordestina.

O grupo, porém, não esquece suas raízes no thrash metal old school, mostrando a velha virulência em faixas como I Am The Enemy e Silent Violence. Interessante citar também trechos próximos do maracatu em Alethea e na introdução de Phantom Self, que dão o tom abrasileirado típico da banda.

Sepultura em 2017: Eloy, Paulo, Andreas e Derrick

Outro ponto positivo é a a produção de Jens Bogren, que já trabalhou com nomes de peso como Kreator, Soilwork, Opeth e Katatonia.

Quanto às performances dos músicos, Andreas exibe bons solos e um ótimo timbre na guitarra (méritos também de Jens). Eloy Casagrande fez um trabalho sólido e qualquer comparação com seu predecessor, Igor Cavalera, é injusta. A faixa Alethea é a melhor performance do baterista. No baixo, Paulo Jr. faz o feijão com arroz de sempre, seguindo Andreas e dando peso à música, aparecendo um pouco mais na canção Resistant Paradises. O vocal de Derrick Green, o elemento que mais desagrada aos fãs antigos, continua sendo o ponto fraco, apesar de estar um pouco mais “suportável”.

“Machine Messiah”, é um álbum ousado, bem produzido, com bons riffs e  músicos competentes e entrosados. Pode não ser um disco revolucionário como foram os trabalhos da melhor fase do Sepultura, mas tem suas qualidades. Não se espante se ele aparecer em futuras listas de melhores álbuns do ano.

Nota: 7,5/10

Destaques: Alethea, I am the Enemy, Machine Messiah

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Estudante de Direito da Universidade Estadual de Ponta Grossa/PR. Apaixonado por metal alternativo, Cerveja, games pós-apocalípticos e pelo Furacão da baixada. Tende a se corromper do metal quando escuta 80's Synthpop e Lana del Rey.