Top 10 – Os melhores de 2016 – por Eduardo Soriano

2016 foi um ano de altos e baixos para todos, até mesmo em lançamentos de Metal. Ao mesmo tempo em que ouvi muitos discos fracos, pouco marcantes e até certas decepções de boas bandas, também ouvi vários discos muito bons, complicando a tarefa de escolher apenas dez. Enfim, sem mais delongas, vamos ao Top.

Menções Honrosas:

Meshuggah  The Violent Sleep of Reason

Metallica Hardwired…To Self-Destruction

Borknagar Winter Thrice

Be’lakor Vessels

10º Slice The Cake – Odyssey to the West

Odyssey to the West é uma verdadeira jornada narrada pela banda Europeu-Australiana Slice the Cake de Prog Metal. A banda apresenta bastante versatilidade no decorrer do álbum, com excelentes vocais e um instrumental progressivo com elementos de Folk, Death e Doom, arriscando até um Djent em algumas músicas.

O vocal de Gareth Mason é o principal destaque. Poderoso e impactante, Mason conta a história de forma bastante emotiva, seja berrando ou com guturais em partes mais pesadas, como em “The Exile Part II – The City of Destruction”, seja simplesmente narrando ou falando de forma mais dramática, geralmente acompanhado de sons acústicos, como em “Ash and Rust Part I – From Shell to Sheel e “Westward Bound Part I – The Lantern“.

O álbum tem duração de incríveis uma hora e 17 minutos, com 15 faixas (!), dividido em vários atos. Apesar de longo, a qualidade das músicas e a história narrada por Mason fazem com que o ouvinte viaje no som e não veja o tempo passar.

Destaques: Castle in the Sky Part II – Pieces of Ruins The Holy Mountain

9º Numenorean – Home

Apesar de ser considerado um estilo conservador e fechado, o Black Metal tem sido o subgênero do Metal mais aberto a inovações e novos elementos, criando álbuns pesados e perturbados, mas ao mesmo tempo cativantes, e Home, da banda de Post-Black Metal Numenorean é mais uma prova disso.

O álbum conta com faixas longas e velozes, diversos interlúdios acústicos e progressivos e um gutural ríspido, fazendo um som bastante inspirado em bandas como Lustre e flertando várias vezes com o DSBM.

A maioria das faixas segue a linha de alternâncias entre um som distorcido de Blackgaze e passagens mais calmas, com solos de guitarra e elementos eletrônicos, criando uma atmosfera melancólica, e ao mesmo tempo bela.

Destaques: Home Shoreless

8º Anciients – Voice of the Void

Já imaginou se o Mastodon mantivesse a sonoridade do Blood Mountain e o Opeth, o do Deliverance? Anciients é um exemplo de banda que une a influências de ambas as bandas. Voice of the Void é o segundo álbum dos canadenses, que fazem um Prog Metal com elementos de vários estilos de Metal Extremo.

Riffs pesados e bem trabalhados, músicas longas, alternâncias entre guturais e vocais limpos (principalmente nos refrões), os canadenses demonstram influências de estilos como Sludge, Stoner e Melodeath. É evidente a inspiração em bandas como Mastodon e Baroness em faixas como “Buried in Sand” e “Worshipper”, mas o grupo também explora um som mais Death/Doom em “Pentacle” e até instrumentais melódicos como “Descending“.

Destaques: Worshipper e My Home, My Gallows

7º Alcest – Kodama

Após suavizar seu som em Shelter e desagradar alguns fãs, o semideus francês Neige decidiu voltar às raízes, apresentando guturais, blast beats e peso característicos do Blackgaze que executou em álbuns anteriores.

As viagens em sons e melodias atmosféricas e mais puxadas ao Shoegaze estão fortes em faixas como “Kodama” e “Untouched”. Neige volta a aderir aos guturais de BM, em “Je Suis d’ailleurs” e “Oiseaux de proie“, de longe as melhores do álbum.

Pode não ser um lançamento tão marcante quanto Souvernis d’un autre monde (2007) ou Ecailles de Lune (2010), mas a volta de elementos de Blackgaze e a qualidade musical de Neige, sempre criando uma atmosfera profunda e emotiva, tornam Kodama um ótimo álbum para os fãs da banda e do gênero.

Destaques: Je Suis d’ailleurs e Oiseaux de proie

6º Novembre – Ursa

Novembre é uma banda italiana de Death/Doom que lançou Ursa, disco que conta com uma das capas mais bonitas do ano. A influência em Gothic, Prog e Black é perceptível nesse álbum, lembrando bons tempos de bandas como Katatonia e Opeth, além de grupos como Fen. Bebendo da fonte de vários estilos, a banda consegue agradar fãs de diversos gêneros de Metal.

O grupo executa muito bem a alternância entre riffs pesados e guturais com passagens mais melancólicas, abusando de guitarras melódicas e cantos limpos. Exemplos são as faixas “Australis” e “Umana“, que iniciam com um som limpo e acústico para depois explodir em um nervoso Death Metal. “The Rose” e “Oceans of Afternoons” são faixas que contam com o lado mais melódico e progressivo do grupo, já “Bremen” demonstra o estilo mais puxado para o Death Metal.

Destaques: AustralisAnnoluceUrsa

5º Anaal Nathrakh – The Whole of the Law

Os britânicos do Anaal Nathrakh fazem um Black Metal com elementos de Grindcore, Industrial e Death Metal, criando um som pesado, insano e frenético. Não importa o quanto a dupla adicione sons melódicos, coros e cantos limpos e influências de música clássica, as músicas sempre serão voadoras no peito de quem escuta.

Depravity Favours the Bold” é uma verdadeira pedrada, que conta com cantos gregorianos e uma guitarra melódica. A tríade “Hold Your Children Close and Pray for Oblivion“, “We Will Fucking Kill You” e “…So We Can Die Happy” é o ponto alto do disco , oscilando porradaria e berros com passagens melódicas e eletrônicas. “In Flagrante Delicto“, com uma pegada mais industrial e “Extravaganza!“, com vocais bastante agudos à lá King Diamond são outros destaques. O álbum ainda conta com um cover de “Powerslave” do Iron Maiden, em que a banda coloca a sua identidade sonora, deixando a música bem interessante.

Destaques: Depravity Favours the BoldWe Will Fucking Kill You…So We Can Die Happy

4º Fallujah – Dreamless

O Fallujah já figurou no meu top de 2014 e repetiu a dose dois anos depois com Dreamless. O álbum é bastante semelhante ao The Flesh Prevails, o que não é ruim, pelo contrário. O som típico de Fallujah continua: um Tech Death Metal sempre com um fundo de guitarra melódico e atmosférico, criando um ambiente musical único. É possível dizer que apenas pela atmosfera criada pela dupla de guitarristas já se reconhece que o som é da banda norte-americana.

A banda não tem medo de se arriscar em faixas como “Face of Death” e “Wind for Wings“, que mostram o lado mais agressivo, ao mesmo tempo em que faz um som mais ambient e eletrônico, como em “Fidelio“. O disco ainda conta com a participação de vocais femininos em faixas como “The Void Alone”. A capa do álbum também é um destaque, competindo como a mais bonita do ano novamente.

Destaques: The Void AloneDreamless

3º Korn – The Serenity of Suffering

Após se aventurar em sons mais comerciais,  os pioneiros do Nu Metal lançaram um disco que remonta às suas origens deixada em álbuns como Untouchables (2002). Com guitarras pesadas e super distorcidas, bateria e baixo bem executados, interlúdios sinistros e uma performance vocal impecável de Jonathan Davis, The Serenity of Suffering tem um grande impacto tanto nos fãs mais novos de Korn quanto nos mais Old School, que ouvem desde a época do álbum homônimo de 1994.

O velho som do Korn, com refrões grudentos e instrumental pesado está presente em faixas como “Insane” e “Take Me“. Os scats e os berros famosos de Jonathan estão presentes em “Rotting in Vain” e “Everything Falls Apart“. O álbum também conta com a participação de Corey Taylor, em “Different World”, a música mais “Jump da Fuck Up” do álbum.

Destaques: InsaneRotting in VainTake Me

2º Astronoid – Air

É difícil definir o som do Astronoid. A banda demonstra faz um Blackgaze com blast beats e solos de guitarras melódicos e progressivos. A música, no entanto é suavizada pelo vocal limpo de Brett Boland, criando um som bastante transcendental e viajante. A banda se autodenomina como Dream Thrash, o que parece bem apropriado.

Trail of Sulfur” é exemplo de canção com um instrumental pesado e rápido que coexiste com um vocal limpo e refrão pegajoso. “Resin” e “Tin Foil Hats” são músicas que, com a adição de um vocal gutural, caberiam muito bem em qualquer álbum de BM. Faixas como “Violence” deixam o peso de lado e apostam em sons atmosféricos. A qualidade de todas as músicas é absurda, não deixando o nível cair em nenhum momento, tornando o álbum todo em uma bela experiência ao ouvinte.

Destaques: Up and Atom, Homesick e Trail of Sulfur

1º Thy Catafalque – Meta

Meta não é unanimidade nas listas da SBG à toa. O multi-instrumentista húngaro Tamás Kátai surpreende novamente tocando um Avant-Garde Black Metal com muito experimentalismo, passando pelos mais diferentes estilos, do Black Metal ao Ambient, do Folk à música eletrônica, sempre com muita criatividade e qualidade. Todas as músicas são únicas e tem suas peculiaridades.

Black Metal coexiste com vocais limpos em “Urania” e com sons atmosféricos em “Ixion Dunn“. Tamás arrisca ainda um Folk e vocais líricos femininos em “Siraly“, e também dá ênfase em instrumentos acústicos e eletrônicos, como em “Ozssel Otthon“, faixa que poderia figurar em qualquer trilha sonora de Silent Hill. Destaque também para o épico “Malmok Jarnak“, com mais de 20 minutos de duração, que une todas as características do álbum em uma só faixa.

Destaques: UraniaSiralyOszzel Othon

 

 

 

 

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Estudante de Direito da Universidade Estadual de Ponta Grossa/PR. Apaixonado por metal alternativo, Cerveja, games pós-apocalípticos e pelo Furacão da baixada. Tende a se corromper do metal quando escuta 80's Synthpop e Lana del Rey.

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