Top 10: Os melhor discos de 2016 – Alexandre

O ano que passou foi ruim em vários sentidos, inclusive no número de posts, mas finalmente o blog ressurge com uma leva de melhores do ano!

Pela primeira vez desde que me lembro de acompanhar os lançamentos, esse foi o ano em que eu ouvi mais discos ruins do que bons. Fazendo um balanço do que escutei até agora, foram 218 discos que vão do “aceitável” até os que estão na lista a seguir. Não tenho o número preciso dos discos que achei “ruins ou pior que isso”, mas ele passa da casa dos 300. Da parte boa, 67 deles são de vertentes do Black Metal e 59 de Folk Metal.

Os país que mais lançaram coisas boas foram, em ordem, EUA (38), Rússia (22) e Alemanha (16). As surpresas foram bandas do Azerbaijão, de Chipre e da Geórgia, que não tem tradição na música extrema, mas mesmo assim são lar de boa parte dos discos que ouvi.

Mesmo buscando os retardatários de 2016, duvido que a lista seja muito diferente do que se segue:

10. Fleshgod Apocalypse – King

O Fleshgod Apocalypse acertou mais uma vez na dose das sinfonias, casando o instrumental apocalíptico do death metal com a classe e o brilhantismo do symphonic metal. Mantendo a crescente evolução técnica e dinâmica da banda, os italianos demonstraram que ainda não haviam atingido o ápice do seu potencial musical. Explorando vocais operísticos aliados ao tradicional gutural do estilo, criaram uma atmosfera épica, que torna o álbum relevante frente a outros lançamentos.

A produção merece elogios. Os elementos individuais não soam embolados e são facilmente distinguíveis ao longo de todo o disco, que não tem uma única música que possa ser chamada de ruim. Por sua construção, “King” é o tipo de obra feita para ser ouvida por completo, com as músicas na sequência original.

Ouça:

09. Volbeat – Seal The Deal & Let’s Boogie

Uma das minhas bandas preferidas, o Volbeat não poderia faltar nessa lista. Mantendo a linha mais hard rock do álbum anterior, os dinamarqueses lançaram mais um disco recheado de singles comerciais, mas nem por isso de baixo nível. A temática abordada nas letras manteve a linha amor/gangsters e os clipes lançados excederam as expectativas por sua construção e beleza.

Os destaques ficam com a faixa de abertura, The Devil’s Bleeding Crown, For Evigt, faixa bônus da versão limitada, e Battleship Chains, um cover de The Georgia Satellites.

Ouça:

08. Horned Goddess – Hymns From the Deep North

Lançado no final do ano, Hymns From the Deep North é uma pérola do drone/doom underground que consegue unir a beleza de um piano aos sintetizadores e guitarras distorcidas, incluindo interlúdios de violão. O resultado é um som denso, ainda que soe como uma versão acústica.

A one-man band tem apenas outro disco, lançado em 2014 e é difícil encontrar informações sobre seu único integrante. O destaque da vez fica com Fimbulvinter.

Ouça:

07. Anaal Nathrakh – The Whole Of The Law

Um som sujo e feio, já característico da dupla inglesa, que une violência, velocidade e toques eletrônicos. “The Whole of the Law” é mais do mesmo, o que é uma coisa ótima, e carrega quarenta minutos de poluição sonora em onze faixas. A sequência Hold Your Children Close and Pray for Oblivion, We Will Fucking Kill You e …So We Can Die Happy formam uma belíssima trilogia de caos que merece ser ouvida.

 

Ouça:

06. Thy Catafalque – Meta

Já citado aqui pelo Rodrigo, que me indicou o disco, por sinal. Pouco mais tenho a acrescentar. O disco derruba completamente as estruturas tradicionais do black metal com suas experimentações.

Pela capa já notamos que há algo bem incomum com a banda. O Thy Catafalque utiliza elementos bastante simples aliados à riffs prolongados e sintetizadores de forma a criar uma aura sombria, ainda que esse tom seja quebrado por interlúdios que fogem completamente do metal. É outro disco que recomendo ser ouvido por completo, para que nenhum elemento seja perdido no caminho.

Ouça:

05. Sunn O))) – НЕЖИТЬ- живьём в России (Live)

Outra banda do meu coração, o Sunn O))) teve um ano recheado de lives. Fanboyzismo à parte, esse disco ao vivo gravado na Rússia não tem um único defeito; a gravação ficou ótima, a interação do público é mais sentida do que ouvida e as faixas são de uma beleza que eu pouco percebo nos discos de estúdio.

O show teve quase duas horas de duração e teve um início e fins memoráveis. Se fosse pra indicar uma música só, seria a B))), mas eu realmente indico ouvir o show completo para os fãs de um som bem denso e com vocais doentios, personalizados por Attila Csihar, que demonstra muito mais de seu poder do que aparece nas faixas do Mayhem.

Além desse show, vale destacar outra apresentação magnífica do grupo, que não foi lançada em um álbum. Eles fizeram uma exibição reservada nas bases de uma pirâmide localizada no centro de um labirinto (!). Esse lugar bizarro fica na ilha particular de um ricaço italiano.

Ouça:

04. 40 Watt Sun – Wider Than The Sky

“Wider Than The Sky” é o tipo de lançamento que não chama a atenção. Uma capa sem muito destaque e o rótulo de doom metal clássico me afastaram do disco, que ignorei até o final de dezembro, quando ouvi por indicação de um amigo. Apesar da minha relutância com o doom tradicional na linha do Candlemass, resolvi dar uma chance à banda e me surpreendi positivamente. O power trio inglês faz um som sóbrio, sem exageros instrumentais e fugindo pouco dos modelos tradicionais do estilo. Ainda assim, conseguiram cativar um fã de experimentalismo e barulheira desenfreadas.

As músicas são predominantemente longas, arrastadas e bem ambientadas. Os vocais passam uma sensação de intimidade e compreensão, o que torna a experiência de ouvir o disco bastante prazerosa. Recomendado tanto para fãs mais tradicionais de doom quanto para “novatos”, o disco é apresentado de maneira bela por Stages, faixa de abertura e de destaque.

Ouça:

03. Goblin Cock – Necronomidonkeykongimicon

Outra banda que me escapou por preconceito quanto às tags, já que não sou um entusiasta do stoner. No final, resolvi escutar a discografia do grupo e fiquei feliz com a decisão.

“Necronomidonkeykongimicon” é o melhor dos três discos da banda e revela um profundo amadurecimento dos músicos. Lançado sete anos após seu antecessor, revela que o rótulo diz muito pouco sobre a sonoridade da banda, que pratica uma mistura de stoner/drone/doom metal com um leve toque de rock’n’roll. São três guitarras, um teclado e um banjo que fazem um som viajante, rico em composições e em surpresas nos detalhes instrumentais. Os vocais completam o álbum com maestria.

A capa e o título mostram uma tendência da banda: a sátira, o humor nonsense e os temas abstratos que nos colocam longe da frigidez da realidade. Something Haunted e Bothered são os destaques.

Ouça:

02. Rotting Christ – Rituals

Outro que já figurou na lista do Rodrigo e que já foi analisado aqui em fevereiro. “Rituals” é o tipo de disco que atrai alguns fãs mais antigos da banda, afastados pela “onda gótica” surgida a partir do Aealo, e agrada aos mais novos. O título já resume a temática e a aura da obra: um gigantesco ritual, cantado em grego e francês, mas também em línguas exóticas, como marathi e aramaico.

Não é o tipo de som que se admira logo de cara, mas “Rituals” tem tudo para ser um dos discos mais relevantes da nova fase da banda. In Nomine Dei Nostri é a faixa para ser ouvida todas as manhãs, louvando Satanás.

Ouça:

01. Psychonaut 4 – Neurasthenia


Apesar da curta carreira, o Psychonaut 4 lança seu terceiro disco com louvor, sendo uma das poucas bandas dessa nova leva do DSBM que carrega apenas clássicos na discografia. “Neurasthenia” segue a linha dos discos anteriores, aliando os elementos nucleares do depressive black metal com samples doentios e vocais bem equilibrados. A temática segue a linha da desesperança, do abuso de drogas e do suicídio, já característicos do estilo, mas também criam a velada sugestão de que viver em sofrimento é o mesmo que causar a própria morte.

As letras são cantadas em inglês e russo, o que torna a mensagem de algumas músicas difícil de compreender, mas isso não afeta realmente a experiência de ouvi-las. Pessoalmente, considero a Sweet Decadance como um hino do estilo e marca da genialidade dos músicos. A ambientação não deixa o clima ameno em nenhum momento, os vocais se mesclam aos samples de maneira natural e esses últimos são um show à parte, tornando a faixa a melhor do disco e, por que não, do ano.

Ouça:

 

Outros onze discos competiram por uma vaga nessa lista. Devo citar o Korn, por um excelente álbum que retoma as origens da banda, e o Boris, que conseguiu harmonizar as duas fases do grupo em um live de respeito.

Esperamos que 2017 seja bem melhor e tentaremos não entrar em um hiato tão grande novamente.