SBG recomenda – The Angelic Process

Uma nova “série” no blog onde iremos recomendar e falar sobre alguma banda aleatória, desde grupos obscuros até nomes mais conhecidas no âmbito do Rock/Metal.

As mentes por trás de toda a melancolia.

Inicio falando da banda The Angelic Process, uma das pioneiras e, também, uma das mais influentes do gênero Drone Metal. Foi formada em 1999, na Georgia, EUA, por Kris Angylus (guitarra, bateria e vocal) e por sua esposa M. Dragynfly (baixo, vocal). Já lançou três álbuns de estúdio: …And Your Blood Is Full of Honey (2001), Coma Waering (2003) e Weighing Souls With Sand (2007).

A sonoridade da banda é aquela típica do Drone, estilo que ajudaram a criar: ritmo lento, um som pesado e músicas longas com forte influência de Doom e Ambient. A dupla executa esse som angustiante e depressivo com maestria – guitarras pesadas unem-se à beleza e melancolia das melodias de shoegaze, o que cria um clima tenso e faz com que o ouvinte sinta-se à beira da morte no fundo do oceano ou perdido na imensidão do universo.

Em meio a essa atmosfera, os vocais de Kris agem como outro instrumento. Parecem lamentos, gritos de agonia e desespero, como se o cantor fosse uma alma abandonada e perdida que suplica por ajuda.

…AYBIFOH mais parece uma demo do que um full-length, por possuir poucas faixas e pela baixa qualidade da edição, mas notamos logo na primeira faixa as características da banda: o peso nas guitarras muito distorcidas, um forte som Ambient e os gritos de Kris. O vídeo acima dá uma bela ajuda à ambientação da música.

Em Coma Waering, a banda começou a demonstrar sinais de amadurecimento, mas o melhor ainda estava por vir…

Sem sombra de dúvidas, Weighing Souls with Sand é a obra-prima do grupo, e entra facilmente em vários top 10’s de melhores ou mais importantes álbuns de Drone Metal. Músicas como The Promise of Snakes são marcadas pelas caóticas guitarras super-distorcidas que se misturam à melancolia do som shoegaze e da voz de Kris.

Já músicas como Dying in A-minor são menos caóticas e mais atmosféricas, puxando para um som mais eletrônico, sem perder a atmosfera melancólica. O vídeo acima também ajuda no sentimento que a música passa, de sentir-se perdido num vazio existencial, como se estivesse perto de ter uma morte bela e poética.

Em 17 de setembro de 2007, a banda foi forçada a dar uma pausa em suas atividades devido à um grave ferimento na mão de Kris.

Infelizmente, o vocalista não superou sua depressão e morreu em 26 de Abril de 2008, a causa não chegou a ser confirmada, mas acredita-se que tenha sido suicídio. Esse fato nos lembra mais uma vez da gravidade da doença, mesmo para as pessoas que transformam a tristeza em arte.

Por Eduardo Soriano

COMPARTILHE
Estudante de Direito da Universidade Estadual de Ponta Grossa/PR. Apaixonado por metal alternativo, Cerveja, games pós-apocalípticos e pelo Furacão da baixada. Tende a se corromper do metal quando escuta 80's Synthpop e Lana del Rey.