Phil Anselmo é um babaca e nós mostramos o porquê

No dia 22 de Janeiro ocorreu o Dimebash 2016, festival anual em homenagem a Dimebag Darrell, e Phil Anselmo protagonizou uma das cenas que centralizam novamente a discussão no racismo dos estados do Sul americano e na supremacia branca.

O vídeo acima mostra o final da apresentação, onde Anselmo claramente realiza uma saudação nazista e grita “White Power!” para o público. Esse curto clipe provocou uma reação gigantesca nas redes sociais, com pessoas defendendo o lado do cantor com base em sua embriaguez, em seu humor ácido, entre outras coisas, e outras atacando-o por ser “um racista de merda”.

Através do perfil da Housecore Records, no Youtube, ele enviou a seguinte resposta:

Em resumo, ele alegou que o vídeo mostra uma “piada interna”, já que eles haviam bebido vinho branco. Se isso realmente foi uma piada, ela é tão “interna” que não faz sentido o público participar, certo?

O que é mais bizarro nisso tudo é o fato de que, aparentemente, o passado de Philip foi totalmente esquecido para essa discussão e muita gente foi surpreendida pela ideia de uma grande ídolo de uma geração ser um defensor da supremacia branca.

Origens e casos antigos

Philip Hansen Anselmo nasceu no estado da Louisiana, em 1968. Vale lembrar que a Louisiana foi um dos estados onde as Leis de Jim Crow vigoraram por quase 100 anos, e mesmo depois de abolidas fizeram parte do cotidiano dos afro-americanos e outras minorias locais. A partir disso podemos afirmar que a educação dos jovens brancos daquela época era fortemente influenciada por ideias racistas, partidas tanto de pais quanto de alguns professores.

Em 1986 Anselmo entrava para o Pantera, banda que o consagrou. Com uma pegada groove, o grupo emplacou várias músicas de sucesso, incluindo algumas letras controversas, como esse trecho de Rise:

“Make pride universal so no one gives in
Turn your backs on those who oppose”

O histórico de reuniões com grupos supremacistas nos leva a uma interpretação sobre o tal “orgulho” citado. A presença da confederate flag em campanhas publicitárias (tanto do Pantera quanto do Down) e entrevistas também contribui para essa linha interpretativa.

O fato é que, ao longo da carreira, diversos discursos de conteúdo racista foram proferidos em seus shows, como esse caso em 1995 que provocou uma reação da mídia e um pedido formal de desculpas por parte de Phil, e uma entrevista para a MTV num passado distante.

Turnês, novos projetos e alcoolismo

Muitos tem falado sobre as amizades de Philip, evidenciando grandes amigos negros, citando até seu trabalho na banda Philip H. Anselmo & the Illegals, onde o baterista, Jose Manuel Gonzales, tem clara ascendência latina. Os shows com o Sepultura também são lembrados como indício da “aceitação” de Anselmo.

Porém, o ponto mais recorrente nas discussões é: “Philip estava bêbado, pessoas bêbadas falam qualquer coisa”, além de referências a seu típico humor escrachado e ácido. E ainda assim, mesmo com essas desculpas, um artista com essa visibilidade tem o potencial de influenciar muita gente, incluindo os adolescentes tidos como “rebeldes” e “facilmente influenciáveis”. A recorrente presença de discursos racistas em sua vida atrai os holofotes e não deve ser rechaçada com base em argumentos rasos como os vistos nos últimos dias. O músico consegue lembrar a letra de suas músicas e os acordes de seu instrumento quando bêbado, mas não tem responsabilidade sobre as suas palavras e atos por estar alcoolizado?

Algumas declarações de Phil explicam o uso da bandeira no material das bandas como uma homenagem à seu estado natal e ao Lynyrd Skynyrd, banda da qual ele é fã declarado. Em uma entrevista em 2003, Philip fala sobre sua conduta racista:

‘I’m anything fucking but’, snorts Anselmo. ‘I know there’s shitty people and beautiful people on both sides of the spectrum – black and white. And I know for an absolute fucking fact there’s good Middle Eastern people who live here. And I know there’s good Oriental people. But if I’m writing a song and it has to touch on the negatives of certain issues, I’m not gonna beat around the fucking bush and fence-ride – especially with Superjoint (sic). “Before, with Pantera, I had to be slightly careful. Now I don’t.’

Em tradução livre: “Eu não sou nada, mas porra, eu sei que há pessoas de merda e boas pessoas em ambos os lados – negros e brancos. E eu sei, com absoluta certeza que há boas pessoas do Oriente Médio que vivem aqui. Mas se estou escrevendo uma música e ela tem que tocar em aspectos negativos de certas questões, não vou mentir ou ficar de rodeios – especialmente com o Superjoint Ritual. Antes, com o Pantera, eu tinha que tomar certos cuidados. Agora não.”

Phil Anselmo sempre demonstrou seu apreço pelos valores ancestrais dos estados confederados e, de forma recorrente, pediu desculpas por seus “abusos de expressão”. O que em nada altera seu comportamento, mesmo após seu envolvimento direto com negros e latinos.

Resultados

Philip é um racista e muita gente parece se esquecer disso. Amigos e desconhecidos ao redor do mundo se espantaram com o ocorrido e alguns até passaram a repudiar as bandas, colocando seus discos e camisetas à venda. Esse fato não nos leva obrigatoriamente a repudiar todos os trabalhos em que Phil esteve envolvido, mas pede uma reflexão sobre suas obras, para que possamos aproveitar mais o som e aprender de que formas o discurso supremacista aparece nos dias de hoje.

O que queremos frisar aqui é que Philip Anselmo, assim como outros tantos músicos, sempre mantiveram uma postura racista velada que hora ou outra aparece em áudios e vídeos. Eles reúnem-se em grupos e mantém o espírito da supremacia racial vivo, construindo suas bases através dos fãs que se identificam com a conduta. O apelo que fica não é o do repúdio, mas o da conscientização. O racismo de estado não foi derrubado junto com as leis no século passado e também não será derrubado por uma queda nas vendas das bandas, a questão é muito mais profunda e atinge questões sociais complexas, que não caberiam aqui.

Espero que o intento do texto tenha ficado claro e que os argumentos listados sejam suficientes para explicar o ponto de vista apresentado, que é exclusivamente do autor desse texto e de nenhum outro membro do blog.

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